Um convite de 5ª

Todos que curtem música, teatro e é claro muito a poesia estão convidados pra participar do Festival Cultura de 5ª que acontece no CTan, em São João del-Rei das 15h de Sábado até as 03h de domingo.
Integrantes do grupo Larvas estarão presentes no palco livre de poesia, assim como os nossos parceiros LESMA vão fazer o recital e colaborar no palco livre.
Aliás, o palco livre é uma pratica que tem que ser alimentada, apareça e declame, estará aberto.
Abraços, nos vemos lá

Um Monstro, um Mutante, um Ciborgue, alguns Vermes e uma coisa muito, muito Podre


Putz, logo depois de escrever o título desse post me deu a maior vontade de escrever um conto, ou poema, ou qualquer coisa sobre algo radioativo que cai no meio da podridão, afeta os vermes e os transforma em monstros-mutantes, mas não. Não vou perder os focos, essa postagem é pra difundir e comentar algo sobre minhas últimas leituras e experiências estéticas, além dum contato (como se não fosse rotina) com a contra-cultura. E se vc estranhou o título é porque é disso mesmo que eu vou falar, e ainda disponibilizar o clássico do Alan Moore, Monstro do Pântano, e o Coletivo Sociedade Mutuante que lançou a coleção Vermes poéticos e ainda dentro desse livro comentar a escrita do parceiro, poeta e catunista Podrera. Ufa.

Viagem tudo isso né? E é pra viajar memo.

Foi ano passado, mais precisamente durante a 3ª Maratona BARKAÇA, que conheci o famigerado Podrera e o achei meio esquisito. Logo conversamos e vimos que cabeça com cabeça batiam pacaralho e eu entreguei um exemplar do meu fétido fascículo de livreco xerocado "Cada no seu quadrado: onde ponho uma maçã no universo?" e ele logo me presenteou com um livrinho (este impresso) todo preto, sem nome. O livro era na verdade uma coletânia de autores: Marteleto, Assis, Aires e Nunes (esse Nunes aí é o Podrera). O livro é de mais ou menos 6X4 cm e faz parte da coleção Vermes Poéticos, da editora Sociedade Mutuante. Fiquei feliz de ter contato com a contra-cultura que se expande como uma infecção em BH, porque o que nos chega muitas vezes de lá são sarauzinhos intelectualizados, livrozinhos a serem sacralizados, porra-louquices sem noção nenhuma de social, de mudança, de mutante: tudo isso com gente apontando pro próprio umbigo e dizendo "olha como sou legal!", e só.

Se der uma sacada no blog do Sociedade Mutuante, vai ver no que eles se baseiam e tque pode nos servir de materia prima, pois estamos querendo fazer algo nesse sentido, com a cara e o umbigo...
 Pelo que parece eles editam e distribuem livros, quadrinhos e zines em conjunto, fora do circuito oficial.
Pô, mas depois disso tudo caímos no livro!
As escritas dos autores representavam a mim algo incompreensível, e ele ficou jogado por cima da papelada a ser lido e relido por diversas vezes de lá até aqui (no espaço temporal).

E é aí que entra o Monstro do Pântano (Download Montro do Pântano). A leitura desse clássico do Alan Moore me fez entender um monte de coisa, não por quê disse algo, mas é porque me levou à reflexão. O Montro do Pântano pensa ser um humano que sofreu mutação por produtos químicos (em outras palavras um Monstro Mutante) mas vai descobrindo ao longo da HQ que não é um homem, é uma Planta Mutante, que absorveu a consciência de um humano, e mais pra frente descobre que tem poderes elementais, ou seja ,é um Elemental criado por magia ecológica. Logo, ELE NÃO SABE O QUE É, e pede que sua mulher o chame como as crianças o chamam: Monstro do Pântano.

Bonita a história e nada a ver com o que foi dito.
Mas com a reflexão da HQ, um dia fiquei pilhado e tomando cervejas e ouvindo Clara Crocodilo do Arrigo Barnabé. e entendi que era possivel entender o que a coleção Vermes Poéticos representava: um livro sem nome, de vários autores, com textos fantásticos e completamente inusuais (inclusive um poemão de várias páginas sobre formigas no rádio-relógio).
É que não dá pra entender: eles, como o Monstro do Pântano, não sabem o que são, e são algo tão esquisito que não dá pra sacar de fronte. Assim como tudo o que tá rolando de diferente na poesia, na nova escrita... O que podemos falar desses quatro autores, que não escrevem como antigamente, é que a sua escrita é tão confortadora àqueles que foram criados zerando jogos de video-game e tão nada pra aqueles que foram formados pela literatura catedrática, e que qualquer um que tenha esses pré-requisitos: ver muita TV e achar um lixo vai sacar o que se está falando.
No mais, sobre hoje nada mais pode ser dito, resta esperar e ver, o que os senhores historiadores vão dizer, se é que podem dizer alguma coisa, sobre coletivos de gente doida publicando poesia, até mesmo sobre essa efervecência do interior de grupos, recitais e fanzines, de gente xerocando seu trabalho e vendendo, sem encanação.

O resto, o resto é silencio. O resto é o navegador offline.

Mas de resto, deixo aqui um texto do amigo Podrera que me presenteou com esses valiosos Vermes, ver mais dele é possivel aí, no blog do Podrera .

gracias

MURDOCK


X Borg K-9 (Anthraxacino)


"(...) se o heróia combate a noite e a vence,
que nele parmaneçam seus farrapos."
(Jean Genet, Diário de um ladrão, 1949)

Em minha tônica tento sobreviver em milícias
contemporâneas que não me convêm.

Consntruindo Barricadas de vítreo em meu
âmago para não mais ser surpreendido por
invisíveis que me assolam em
Batalhas perdidas no Ócio

Armando-me contra severos sequazes de
Severinos e suas hostis Doutrinas Inacabadas.

Ludibrio sobre Falácias Guerrilhas
do supra-sumo intelectual

Sofrendo em Descampados Campos de Viril
Extermínio Virtual.

Sendo refém de virtudes eclesiásticas que
Não aprovo.

Executado, sou!

Em cotidianos, pelos caprichos de prosélitos
Demagogos condecorados com suas corroídas
medelhas de alumínio zincado.

Eboscado pelo amparo da inquietude revelada
no outro.

Sou fuzilado em campos de Desconcentração
alheia.

Em QG's utópicos me realizo
usando uma notória farda de tussor nobre
que me abriga da embriaguês
Dedém-tada da estupidez humana.

Continuo alistando-me em lutas desarmadas
para anuir-me no meu (eu).




*o Monstro do Pântano nunca soube o que é, e você sabe o que está fazendo nesse mundão de deus?

Encerramento do Fórum de Integração Universitária UFLA - LESMA - Lucas F. L.

Antes do começo, um trecho que acabei de acabar e veio a calhar:

I told the super once that if he kept the garbage out on the street, perhaps the building would be less a home for vermin.
'What's vermin?' he wanted to know.
'Vermin', I told him, 'is rats and roaches and huge black bettles scrabbling at the base of the toilet when you turn on the light at night. Vermin is all the noises at night, all the clicking and scratching and scurrying through the darkness.' - Beth Nugent - City of boys

Olá você que, assim como nós, vez ou outra orbita em torno do umbigo larvense, face a face com o chão.

Devagar, como de praxe, mas em frente, saudamos o pessoal do curso de Letras e Filosofia e do DCE da UFLA, que  nos convidaram para apresentar um recital antes da palestra de encerramento do Fórum de Integração Universitária da UFLA.
Apesar de acidentes de percurso e mil contratempos, rolou um recital/sarau de umas meia hora, protagonizado principalmente pelo grupo LESMA, com seu misto de musicalidade, percussão, bom humor, delicadeza e força, exaltando as diversíssimas regiões das Minas Generais, dos Beatles e do Coração.
Cada um maior que o outro.
O recital teve ainda participação minha (Igor) e do Lucas, que mostrou sua prosa afiada de Sísifo, através de uma leitura sutil e intimista de sua escrita fotográfica (mas sem flash, sem photoshop, vez ou outra preto e branco, desfocada, de muitos planos) num momento que quebrou o gelo do palco - platéia, e levou a poesia para mais perto das pessoas. Um livro de poesia na gaveta, não adianta nada, lugar de poesia é na calçada.
Fora da prisão dos versos dos livros dos filhos da letra. E foi o que rolou. E rolou bem.
Poesia se prova com os olhos, mas também com o corpo, ouvido, tato. língua na Língua.

                              Lucas, Osmir, Patrícia, Igor e Wagner (Salão de convenções - UFLA)


Amostra grátis pra quem quiser provar com os olhos os versos do Lucas, que traz um pouco do velho Buk. Um Piva com suas asas de arcanjo radioativo cortadas.
 Hemingway versejando o cotidiano urbano do cerrado?

Ecos

Minha escrita é qualquer coisa
menos poesia
é a pura conversa fiada
não tem verdades
nem medidas
o típico papo furado
feita para descarte imediato

Sua composição
é pura maravalha
restos de um marceneiro cansado
velho, quase surdo
Que toca a vida
com seu rádio empoeirado
cheio de gambiarras
fios desencapados
de precária sintonia

É sintomaticamente feia
retirada de corpos doentes
semelhante a
apendicites
hérnias
vesículas
verrugas
e pequenos cânceres benignos

Não embala amantes
não incita a juventude
não provoca o estado
não inspira

Até poderia comercializá-la
como veneno para ratos
ou como soda para desentupir pias

Meus versos
valsam com o mal gosto.

                   
                 Lucas FL.
I

Sua Profissão não presta mais
quinze anos de enfermagem
tomando café com amputações
almoçando com a classe média inflando os seios 
e no jantar, provincianos apodrecendo 
escaras diabetes gangrenas recém-nascidos  

Passa a maioria das noites fumando
e escrevendo artigos
"A Saúde Pública e suas Mazelas"

Tem um lote de lâminas de bisturi vencidas de 1975
consome depressores
sonega impostos
maltrata prostitutas
  ____________________________________________

II

Relâmpagos trincam o céu ensanguentado
O velho cavalo no lote baldio 
_é isso...
Ele veste sua jaqueta jeans surrada
calça sua bota
e sai a procura da pior bocada da cidade

Abafada garoa
mãos nos bolsos
vapor homicida esvaindo pelas narinas
ruas de pedras

Na calada da madrugada 
debaixo de um pontilhão
um negro cruza o seu caminho
_____________________________________________

III

_Ei, você... não vai dizer "boa noite"?... _Disse Vlado.
_Tá maluco meu irmão, tu sabe com quem tá falando?! _O negro o encara.
_Não. 
_Não como viados! _O negro cospe com desprezo.
_Certo. 
_Ei, antes que eu esqueça...
_Que isso meu irmão!... abaixa essa arma aí! 
_Não precisa me agradecer!... _Vlado faz dois disparos.
_Aaahh! _ dois tiros cravados no tórax.
_Infeliz...
O enfermeiro de UTI acende outro cigarro e pega o caminho de casa.


Lucas FL.
 
Macaia

O carro 1.0 acelera pouco
procura alguma cidade miúda
debilitada pelo simplório
onde homens e mulheres sobrevivem
da pesca ilegal, da fritura de pequenas traíras
vendendo cerveja a três e cinquenta
para turistas pobres como você

Na estrada, alguns fenômenos pingados
um caroneiro cozinhando no asfalto
um caminhão impedindo sua passagem 
um andarilho em sua rotina: andar.
O vento: albina vazão...

Chegando no pequeno lugarejo 
A abatida Igreja a beira d'água”
com as portas fechadas
infestada de pombos na torre do relógio

Na margem da represa barrenta
languidez... 
Um crioulo de meia idade encostado numa monumental caminhonete
E ao seu lado
uma ninfeta amarela
sentada
abraçada com os joelhos
usando um micro biquíni vermelho
esvaziando uma lata de cerveja
e baforando seu cigarro mole

Lucas.F.L.
 Quem quiser saber mais do cronista da Grande Macaia de nossos tempos, vide:     http://prosadesisifo.blogspot.com
                                 Ponte de Macaia, construída sobre o rio Grande de 1959 a 1964

Miedo de perder-te - Torquato, neto

  Quero por que quero o meu baião da solidão, os pés no chão e as asas pra voar. E cito Duda: eu nunca sei quem está do meu lado. Pecado.

  *Repeteco: aí de mim. Copacabana. Miedo de perder-te.

  *Estou cansado: de que lado é isso? Careço: luz e força. Gáz e telefone. Manchete de jornal dessa semana: amor mata três.

  *Lembrança de uma chanchada antiga, Carequinha e Fred Costinha. Sai de baixo. Alguem aí pode me ajudar a lembrar inteira a música daquele filme? Aquela marcha, help.          

  *Minha esperança é quando eu chego em casa: respirar e brincar com Thiago. Enquanto eu estiver atento, etc. Meu lugar não é o meu refúgio: é a minha vida, começo, meio e fim.

  *Meio e fim. O fim do começo, como sempre, e o meio mesmo eu não revelo. Onde fica?
  *Sem pé nem cabeça. O filho bebia vinho e pra não beber mais vinho foi mandado para o hospício onde lhe deram uma impregnação. Foi com um grande amigo meu e não pode mais se repetir.
  *O médico pediu: deixa eu ler os teus poemas. Esse outro grande amigo meu levou os poemas para o médico julgar. O médico achou a linguagem "totalmente fragmentada" e, para que ele voltasse a escrever como muito antigamente se fazia, mandou interná-lo e impregnou a sua célua nervosa. Crítica literária.
  *Sem pé nem cabeça: Estou cansado: de que lado é isso? Do lado de dentro, certo é preciso.
  *Do Ibope: quem já morreu e não sabe? Respostas para o amigo Carlos Imperial, ali na página de t
rás.

  *Informação: o Pasquim acabou com a Flor do Mal. Sintam o drama.

  *Eu queria mesmo era sair daqui agora e ir pra Bahia, onde o verão é maneiro, transeiro e muito iluminado. Eu queria mesmo era sair daqui agora e mergulhar no mar de alguma praia de lá. Eu queria mesmo era sair daqui agora sem olhar pra trás: o Rio de dezembro sempre me apavora, é uma coisa maluca mas o que é que eu posso fazer? Miedo de perder-te. Tremendo bolero.

  *Teve um dia que eu pensei que estava pra morrer. Faz muito tempo e Deus me salvou. Eu me levantei e saí novemente pela rua, graças a Deus. Informação.
  *Por que? Porque a morte não é vingança de Deus é amor, amor, amor, amor.
  *Procure compreender melhor: o inimigo é o demônio do medo. Livrai-nos Deus Nosso Senhor. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém


Torquato, neto -
publicado na sua coluna "Geléia Geral" no Jornal do Brasil

Química de Nós - o corpo não é templo, casa, nem prisão

Foi lançado em Conselheiro Lafaiete, no sábado, dia 4 o livro Química de Nós de Afonso Celso Henriques. E representante do grupo Larvas estava presente, para acompanhar o lançamento de mais uma obra regional e colaborar com o sarauzão que rolou antes em homenagem tanto à obra quanto ao autor.
As boas impressões na fala do colega de imediato soaram amigáveis. "Eu tou tratando aqui da minha vida". Porra sempre é, não? Mas haja coragem pra não ter Eu poético transformando-se em Eu, eu memo.
Saca-se em abrir o livro que o autor, sofrido, recria o mundo de injustiças no qual foi enfiado inconsequentemente por sua genitora, à qual ele dedica o livro, nas loucuras sexo-românticas e poético-eróticas. E por quê falar niilistamente do seu sofrimento, e por quê falar, "foi assim que eu afirmei o meu ser no mundo" e pra que dessa poesia?
E se formos ao fundo, a poesia não serve pra nada.
Entretanto o sofrimento e a afirmação individual transmutado pra um espaço universal dessa nossa aldeia torna-se o sofrimento de todos que sofrem. E a afirmação sexo-românticas numa das alternativas pra gozar e pra enfrentar a chibata que se levanta quando goza. Até porque como diz Arnaldo Antunes quem tem lingua, cú, buceta, pênis, saco, corpo, mão, lingua, boca, saco quer amor. E quer amor de verdade. Mesmo que todos digam que isso é pecado

No mais
Aí vão 2 poemas do camarada:


Viver

Buscar o equilíbrio
Amar
Respeitar
Ser
Ter
Aparentar ter
Tantas obrigações
Fazer concessões
Vir embora
Sou dúbio
É fato
Amo. Odeio.
Às vezes indiferente.
Tantos desejos insanos
Demos...
Sacros...
Porém,
Sou assim
Inteiro.




Quereres

Teu nome: amor!
Codinome: Neguinho!
Teu porte: elegância!
Teu jeito faceiro: audácia!
Teus olhos: Encantadores!
Tua pele afro e aveludade: carinho!
Teu toque: que tesão!
Teu corpo pseudoesquálico: Sexy!
Tuas mãos lépidas e fagueiras: Eficiente!
Tua boca nervosa: gulosa!
Tua voz calma e serena: sedutora!
Teus negros cabelos negros encaracolados: charme!
Teus vícios: quase todos os meus.
Tu! Eu! Quiçá nós...



O livro foi lançado pelo LESMA editores, que tá fazendo um trabalho respeitável lançando vários escritores da região de Queluz de Minas. Esse tá no mesmo formatinho tchuque tchuque que o anterior de poesia "O amor visto da ponte". Quem interessar em adquirir pode entrar em contato com eles por esse e-mail: abrilpoetico@yahoo.com.br

E tome nota que o que vai vorta...
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