Poemas Golpistas.

O dia de hoje está super inspirador. Um novo governo surge promovendo cortes e alegrias! Muitos poemas foram escritos hoje pelos poetas na rede, e outros foram trazidos a dizerem algo nessa sexta-feira 13 tão especial, ei-los:


Pequena Oração para Batismo Clandestino


Que eu transite livremente pelo país que é o lar de meu coração.
Que ninguém me barre os passos improvisados,
a dança delirante pela rua.

Que ninguém ao pé de porta me peça título de eleitor.
Ninguém meta constituição em argumento.
Alô polícia, eu tô usando um exocet calcinha
Alô polícia, corpo da lei. Mas, que lei?
Jà em curso meu próprio golpe legitimador
do Estado Independente de Mim Mesmo
Anota aí: erregê lua, cepeefe nuvens nuvens

O país não me representa. Não me representam os meus pais,
a língua do normais... Um beijo e até mais!


(Mingau)

*    *   *


Os Muros

Arrames invisíveis
cerceiam
As farpas de ventos
do Sul.
Nau do Norte
Oh, Sorte
Movem moinhos?


O medo me 
dita
é a regra.
Fé é cega
e Esperança 
transborda.

As crianças
(natimortos)

Sem escola
Tem gorjeta!
Tem esmola!
Oportunidade?
Não.

E nos bares

os muros,
[se rompem]
Corrompem corações.
As ruas, as praças
Condomínios fechados
(Assunto proibido)


A "fachada" avisa:
Perigo!
Aos gritos
[fecundo silêncio]

Quem é o inimigo!

Quem é o "eu"?
Quem é voce?


(Iberê Marti)


*   *   *

Luto de Preto que é pra apaziguar a falta de paz nas bandeiras Brancas

Sinto muito e menos um pouco que o tamanho bastante
infante, delirante, diamante brindado no sangue
dos olhos de todos os que ficaram sem mangues

Sem poros abertos pra suar o amor ao quotidiano
eu sinto menos e não tenho que Temer sozinho, Temer jamais!

Somos da raça do mundo, das digitais dos encontros, dos sem-muros

Sexta-feira 13 trouxe seus aposentos, sente-se e se sirva dos anos
o ministério da cultura encontra as flores amareladas de espanto e um
tumulo ao lado da sepultura das mulheres da terra, raiadas pelo corte de
suas iluminações;

[apagão as claras]

A morte chora o seu pranto e ri o seu riso: o medo tomou o ceio do corpo
e me adoece os homens com uma vida pronta, a ponto de não saberem
morrer, vão se restando em almas, penadas e peladas de calor, pelo
senado, sem nada mais a dizer, me retiro... num silêncio preto e gritante.

(Clélio Souza)

*   *  *


meu cu
e, no cu
uma rosa cujo caule
está cuidadosamente enfiado
um brilho grande no cu e rosa
a rosa do cu
eu desfilo cor de rosa
brilhando, amando, cantando

alegria e purpurina
é enfeite, que dá o contorno da coisa
pintam sobrancelha
e batom na boca
viver, impreterivelmente

viver, mais que tudo
e com tanto furor
que como um pingo de detergente
num molho de panela pós-fritura
tudo quanto não é vida
fuja desesperadamente de mim

(Vinicius Tobias)

*   *  *

 - - - - - poema trago à baila ------- 


prOs Fernandes e Martelo de Pano e outros que proclamam a 

independência na terceira margem de todo dia e toda noite

Eu sei 
nas margem da indústria da cultura
eu também sentei
e chorei

Mas já dissemos numa tarde:
sem culpa
antes arte
do que nunca

né?

É
Tá dificil
ficar de pé
ferir a fé
no cotidiano

Mas berramos 
como um bode sacrificado
como um deus despedaçado

EVOÉ!

Seguimos na criação,
mesmo se não
já que deus deu o verbo
e depois ficou quieto

BERRO

Os ecos de eros e thánathos

BERRO


a besta no nosso âmago


Baco nos abençoa
apesar do mundo
a vida é boa

a gente tenta
a gente venta
a gente inventa

até onde for
até onde flor

cria 
canta
dança
criança
música
esperança

essas trilhas
traços
abraços
becos e buracos

aos tombos e trombones

já que tudo parece
tão raso
já que tudo perece tão fácil

musicar: lançar
malabarismos de ar

nonada: projeta
projeta-se a manada

olhamos para o abismo 
e nos jogamos

nós

e nosso riso

nós

e nosso grito.

[In: finito]


(Igor Alves)




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